DNA Fetal
Desde a demonstração de que a constituição
cromossômica de um feto podia ser determinada pela análise da cultura
das células do líquido amniótico em 1966, o diagnóstico pré-natal vem
despertando grande interesse da comunidade científica voltada à
medicina. Após quase 40 anos, grandes avanços na área de diagnóstico
pré-natal tem sido alcançadas, e cada vez mais se estudam métodos que
viabilizem precocemente o diagnóstico de anormalidades fetais por
métodos não invasivos. Devido a esses avanços, principalmente na área
da biologia molecular, hoje já é possível o diagnóstico de um grande
número de desordens genéticas, sejam elas herdadas ou não, em até
poucas horas após a coleta do líquido amniótico.
A passagem de células fetais para o sangue
materno é um fenômeno bem conhecido há pelo menos 35 anos, e desde
então, já se imaginava que essa fonte de material fetal futuramente
poderia ser uma ferramenta para detecção de anormalidades relacionadas
ao feto. Em 1997, Lo e et al. descreveram pela primeira vez, a presença
de DNA fetal no plasma e soro materno. Além disso, os autores
destacaram a importância deste achado em relação à fonte de material
fetal em sangue materno, o que implicaria em futuramente ser um exame
não invasivo para possível diagnóstico de patologias fetais como as
cromossomopatias (aneuploidias fetais), desordens genéticas herdadas
paternalmente ou de algumas doenças genéticas com modo de herança
autossômicas recessivas.
Todos sabem que os seres humanos são identificados pelo
sexo. Geneticamente, tanto as mulheres como os homens apresentam 46
cromossomos. Porém o que nos diferencia como sendo do sexo masculino e
feminino são os cromossomos sexuais. As mulheres apresentam dois
cromossomos X e os homens um cromossomo X e um Y. Portanto, o que
determina o sexo é a presença do cromossomo Y (homem) ou não (mulher).
Mulheres que são Rh negativo e que estão
sob o risco de gerarem filhos com Rh positivo herdado do pai, estão sob o
risco de sensibilizar o seu sistema imune e produzir anticorpos contra
as células sanguíneas fetais. Essa condição patológica é chamada de
Doença Hemolítica do Recém-nascido ou Eritroblastose fetal. Usualmente,
a Eritroblastose fetal ocorre após a segunda gestação ou gestações
seguidas de aborto, ou sangramento. Para a determinação do Rh fetal
quando a gestante é Rh negativo, depende essencialmente da carga
genética vinda do pai, que quando é Rh positivo, pode ser homozigoto
(dois alelos iguais) ou heterozigoto (dois alelos diferentes). No caso
do genitor ser homozigoto, o bebê vai ser sempre Rh positivo e quando
for heterozigoto, há 50% de chance de ser tanto Rh positivo como
negativo. Porém, sabe-se que 40% das gestantes Rh negativo geram bebês
também negativos. Portanto, nesses casos não há necessidade de cuidados
especiais durante a gestação perante o sistema sangüíneo Rh, e desta
forma, a gestante pode levar uma gestação mais tranqüila.
Durante a gestação, portanto, sabemos que as células do bebê
(DNA fetal) estão circulando no sangue da gestante. Através da técnica
de PCR em tempo real, a partir de 5 semanas de gestação (para o Rh
após 14 semanas), é possível identificar o sexo do bebê, identificando a
presença ou ausência do cromossomo Y no sangue dessa gestante. Já para
o Rh fetal, se encontrarmos a presença do gene RHD circulando pelo
plasma de uma gestante Rh negativo, presumimos que o feto é Rh
positivo. Deste modo, através de técnica não invasiva que é a coleta de
sangue periférico materno, pode-se identificar com quase 100% de
confiabilidade o sexo e o Rh fetal.
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